Previdenciário

Perícia médica do INSS: como se preparar

A perícia médica define se você recebe ou perde o benefício. Saiba como reunir documentos, o que levar e como relatar sua incapacidade.

Segurados em atendimento em uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

A perícia médica do INSS é o momento decisivo para quem busca auxílio por incapacidade ou aposentadoria. Em 15 a 30 minutos, um médico perito decide se você vai receber o benefício. A preparação faz diferença — e a maioria das negativas acontece por falta de documentação, não porque o quadro não existe.

O que é avaliado na perícia

O perito médico do INSS avalia três coisas:

  1. Se você tem a doença ou condição que alega — através de documentos e exame físico.
  2. Se essa condição te incapacita para o trabalho — não apenas que você tem dor, mas que a dor impede o exercício da sua função.
  3. Se a incapacidade é temporária ou permanente — o que define o tipo de benefício.

O diagnóstico, sozinho, não é suficiente. O perito precisa ver incapacidade funcional.

O que levar para a perícia

Documentação médica (obrigatória)

  • Laudo médico atualizado do especialista responsável pelo seu caso, descrevendo diagnóstico, tratamento e limitações funcionais.
  • Exames de imagem com laudos (ressonâncias, tomografias, radiografias).
  • Exames laboratoriais relevantes para a doença.
  • Histórico de consultas — quanto mais longo, melhor.
  • Receituários de medicamentos em uso.

Documentação de trabalho

  • Carteira de trabalho.
  • Contracheques recentes.
  • Descrição da função exercida — o que você faz concretamente no trabalho.
  • Atestados de afastamento já emitidos.
  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), se a doença tem relação com o trabalho.

Documentos pessoais

  • RG e CPF.
  • Comprovante de agendamento da perícia.
  • Número do NIT/PIS/PASEP.

Como descrever sua incapacidade

Essa é a parte que mais influencia o resultado — e onde a maioria dos segurados erra.

Não diga apenas “estou com dor” ou “estou deprimido”. Diga o que você não consegue fazer:

  • “Não consigo ficar em pé por mais de 10 minutos sem dor intensa.”
  • “Não consigo levantar objetos acima de 2 kg com o braço esquerdo.”
  • “Não consigo trabalhar porque não durmo mais de 3 horas seguidas e não me concentro.”
  • “Preciso me deitar 3 a 4 vezes por dia por causa da dor.”

Fale sobre o dia típico de piora, não do dia bom:

Muitas doenças flutuam. A fibromialgia, a depressão, a artrite reumatoide têm dias bons e dias ruins. Na perícia, descreva o que acontece nos dias ruins — porque é isso que define se você consegue trabalhar de forma consistente.

Relate impacto em tarefas básicas:

  • Você consegue cozinhar? Dirigir? Tomar banho sozinho?
  • Você consegue se vestir sem ajuda?
  • Você sai de casa com frequência?

Essas informações constroem um quadro de incapacidade muito mais claro do que a descrição clínica da doença.

Erros comuns na perícia

ErroO que aconteceO que fazer
Levar só o diagnóstico, sem laudo de incapacidadePerito não tem como avaliar limitações funcionaisLevar laudo do especialista descrevendo limitações
Minimizar os sintomas por timidezPerito considera o segurado funcionalDescrever os piores episódios com franqueza
Não levar exames de imagemPerito não pode verificar o quadro objetivamenteLevar as imagens físicas e os laudos
Não comparecer porque está se sentindo bemBenefício indeferido automaticamenteComparecer sempre — descrever dias ruins
Não levar histórico de tratamentoPerito questiona a cronicidade da doençaLevar prontuários e receituários históricos

Se o benefício for negado

A negativa na perícia não encerra o caso:

  • Recurso administrativo: prazo de 30 dias, via Meu INSS. Inclua documentação complementar — laudos mais recentes, exames adicionais.
  • Nova solicitação: se o quadro mudou ou se você tem documentação mais robusta.
  • Ação judicial: quando a negativa é recorrente e o quadro claramente justifica o benefício. O juiz pode determinar perícia judicial independente.

A perícia dura 20 minutos, mas a preparação para ela pode levar semanas. Documentação completa, laudo que descreve incapacidade funcional e a clareza de relatar limitações concretas são o que separa a concessão da negativa.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a perícia médica do INSS?

Em média 15 a 30 minutos. O perito faz perguntas sobre a doença, o trabalho e as limitações diárias, e pode fazer um exame físico rápido. O tempo é curto — por isso a documentação prévia é tão importante.

Posso ir acompanhado à perícia médica?

Sim. Você pode levar um acompanhante — familiar, cuidador ou advogado. O acompanhante não participa das respostas, mas pode ajudar na locomoção e na organização dos documentos.

O perito pode me examinar fisicamente?

Sim. O perito pode fazer exame físico básico — avaliar mobilidade, reflexos, sensibilidade. Não é obrigatório, mas é comum em casos ortopédicos e neurológicos.

Se eu me sentir bem no dia da perícia, devo ir assim mesmo?

Sim. Faltar à perícia resulta em cessação ou indeferimento do benefício. Se você tem um dia bom, descreva como são os dias ruins — a perícia avalia a condição crônica, não o snapshot do dia.

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